Seis em cada dez pessoas têm pressão acima do recomendado em Minas Gerais
Estudo com 49 mil medições realizadas em farmácias do Estado aponta índices mais elevados entre homens
A aposentada Marlene Lourenço Gomes, de 60 anos, não tinha o hábito de medir a pressão arterial e se considerava saudável. Após procurar uma farmácia com dor de cabeça e no corpo, ela descobriu que a pressão estava alta. Marlene foi ao médico e recebeu o diagnóstico de hipertensão. Desde então, iniciou o tratamento e passou a adotar hábitos mais saudáveis, com mais saladas, menos frituras e caminhadas.
A experiência de Marlene mostra que a doença pode passar despercebida até apresentar sintomas. Em Minas Gerais, seis em cada dez pessoas que tiveram a pressão aferida em farmácias apresentaram níveis acima do recomendado pela nova Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial de 2025. É o que aponta um estudo inédito que analisou 49.068 medições realizadas ao longo do ano passado em unidades da rede Drogaria Araújo.
O levantamento identificou pressão acima do limite de 13 por 8 em 60,5% das pessoas avaliadas. Quando considerado o parâmetro tradicional de 14 por 9, o percentual cai para 31,1%. Já pelo critério de 13 por 8, utilizado em medições realizadas fora do consultório, o índice chega a 45%.
Os resultados serão apresentados hoje, no Congresso Mundial de Cardiologia, no Rio de Janeiro, com chancela da World Heart Federation. A pesquisa integra o projeto Juntos pelo Melhor Controle, iniciativa que reúne a 生物实验室法玛, a Drogaria Araújo, a Sociedade Mineira de Cardiologia (SMC) e a Omron Healthcare.
Minas Gerais ocupa o segundo lugar no país em prevalência de hipertensão e o terceiro em mortalidade por doenças cardiovasculares, segundo as informações divulgadas pelos responsáveis pelo estudo. No Brasil, as doenças cardiovasculares são a principal causa de morte e responderam por 382.507 óbitos em um ano, número cerca de dez vezes superior ao de mortes no trânsito no mesmo período de referência.
Nova diretriz muda a classificação
O cardiologista Pedro Caetano, que atua na prevenção, longevidade e performance, explica que o aumento no percentual de pessoas com pressão alterada reflete, em parte, na mudança na classificação dos níveis de pressão arterial.
“Um número muito maior de pessoas passou a ser incluído em uma faixa de atenção cardiovascular. Mas é importante esclarecer que isso não significa que a quantidade de hipertensos tenha dobrado. O que houve foi uma reorganização das categorias de pressão arterial, incluindo pessoas que antes eram consideradas dentro da normalidade e que agora apresentam valores classificados como pré-hipertensão”, afirma.
De acordo com a cardiologista Egle Costa Oppi, do Hcor e gerente médica executiva da Biolab Farmacêutica, as pessoas com pressão entre 12 e 13 na medida sistólica, a chamada pressão máxima, passaram a receber maior atenção. A recomendação é observar a evolução dos níveis e investir em mudanças no estilo de vida, como reduzir o consumo de sal, praticar atividade física e perder peso, quando necessário.
De acordo com Egle, a orientação é acompanhar a resposta a essas mudanças durante três meses. Se a pressão não cair para menos de 12 por 8, pode haver indicação de tratamento medicamentoso, conforme avaliação médica.
Caetano destaca que a identificação precoce busca estimular a prevenção antes que a pressão alcance níveis mais elevados. “O objetivo não é mais gente tomar remédio, mas identificar quem tem maior risco e agir antes que ocorram complicações como infarto e AVC”, afirma.
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