cerrar

Seis em cada dez pessoas têm pressão acima do recomendado em Minas Gerais

Publicado en 12 de October de 2026

Estudo com 49 mil medições realizadas em farmácias do Estado aponta índices mais elevados entre homens

A aposentada Marlene Lourenço Gomes, de 60 anos, não tinha o hábito de medir a pressão arterial e se considerava saudável. Após procurar uma farmácia com dor de cabeça e no corpo, ela descobriu que a pressão estava alta. Marlene foi ao médico e recebeu o diagnóstico de hipertensão. Desde então, iniciou o tratamento e passou a adotar hábitos mais saudáveis, com mais saladas, menos frituras e caminhadas.

A experiência de Marlene mostra que a doença pode passar despercebida até apresentar sintomas. Em Minas Gerais, seis em cada dez pessoas que tiveram a pressão aferida em farmácias apresentaram níveis acima do recomendado pela nova Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial de 2025. É o que aponta um estudo inédito que analisou 49.068 medições realizadas ao longo do ano passado em unidades da rede Drogaria Araújo.

O levantamento identificou pressão acima do limite de 13 por 8 em 60,5% das pessoas avaliadas. Quando considerado o parâmetro tradicional de 14 por 9, o percentual cai para 31,1%. Já pelo critério de 13 por 8, utilizado em medições realizadas fora do consultório, o índice chega a 45%.

Os resultados serão apresentados hoje, no Congresso Mundial de Cardiologia, no Rio de Janeiro, com chancela da World Heart Federation. A pesquisa integra o projeto Juntos pelo Melhor Controle, iniciativa que reúne a Biolab Farma, a Drogaria Araújo, a Sociedade Mineira de Cardiologia (SMC) e a Omron Healthcare.

Minas Gerais ocupa o segundo lugar no país em prevalência de hipertensão e o terceiro em mortalidade por doenças cardiovasculares, segundo as informações divulgadas pelos responsáveis pelo estudo. No Brasil, as doenças cardiovasculares são a principal causa de morte e responderam por 382.507 óbitos em um ano, número cerca de dez vezes superior ao de mortes no trânsito no mesmo período de referência.

Nova diretriz muda a classificação

O cardiologista Pedro Caetano, que atua na prevenção, longevidade e performance, explica que o aumento no percentual de pessoas com pressão alterada reflete, em parte, na mudança na classificação dos níveis de pressão arterial. 

“Um número muito maior de pessoas passou a ser incluído em uma faixa de atenção cardiovascular. Mas é importante esclarecer que isso não significa que a quantidade de hipertensos tenha dobrado. O que houve foi uma reorganização das categorias de pressão arterial, incluindo pessoas que antes eram consideradas dentro da normalidade e que agora apresentam valores classificados como pré-hipertensão”, afirma.

De acordo com a cardiologista Egle Costa Oppi, do Hcor e gerente médica executiva da Biolab Farmacêutica, as pessoas com pressão entre 12 e 13 na medida sistólica, a chamada pressão máxima, passaram a receber maior atenção. A recomendação é observar a evolução dos níveis e investir em mudanças no estilo de vida, como reduzir o consumo de sal, praticar atividade física e perder peso, quando necessário.

De acordo com Egle, a orientação é acompanhar a resposta a essas mudanças durante três meses. Se a pressão não cair para menos de 12 por 8, pode haver indicação de tratamento medicamentoso, conforme avaliação médica.

Caetano destaca que a identificação precoce busca estimular a prevenção antes que a pressão alcance níveis mais elevados. “O objetivo não é mais gente tomar remédio, mas identificar quem tem maior risco e agir antes que ocorram complicações como infarto e AVC”, afirma.

Confira a matéria completa também através do link: Seis em cada dez pessoas têm pressão acima do recomendado em Minas Gerais

Derechos de autor ©. biolaboratorio | Derechos reservados - 2026