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Colesterol HDL e LDL: o que são, valores reais de referência e como interpretar seu exame

Publicado em 03 de agosto de 2026

No Brasil, cerca de 40% da população adulta apresenta níveis de colesterol acima do recomendado, segundo o Ministério da Saúde, com base em dados da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC). Ainda assim, muitas pessoas recebem o resultado de um exame de perfil lipídico sem entender exatamente o que significam siglas como HDL, LDL e triglicerídeos. O colesterol costuma ser tratado como vilão, mas essa é uma simplificação: ele é uma substância necessária ao organismo. O problema está no desequilíbrio entre suas frações e no risco cardiovascular associado a esse perfil.

Quando alguém lê “colesterol alto” no exame, a primeira reação costuma ser preocupação. Mas é importante entender qual fração está alterada. Segundo o National Heart, Lung, and Blood Institute (NHLBI), o LDL é conhecido como “colesterol ruim” porque níveis elevados podem favorecer o acúmulo de placas nas artérias. Já o HDL é chamado de “colesterol bom” porque ajuda a transportar colesterol de volta ao fígado, participando da remoção do excesso.

Este artigo explica, de forma acessível, o que cada fração do colesterol representa, apresenta valores de referência em formato comentado e orienta como ler o resultado do perfil lipídico com mais segurança. A interpretação final, no entanto, deve ser feita por um profissional de saúde, considerando idade, histórico familiar, pressão arterial, glicemia, tabagismo, presença de diabetes e outros fatores de risco.

Colesterol HDL e LDL: por que o corpo precisa dele

O colesterol é uma substância gordurosa presente nas células do organismo. Ele participa de funções importantes, como a formação das membranas das células, a produção de hormônios e vitaminas e a formação dos ácidos biliares, que auxiliam na digestão das gorduras, conforme descreve o Ministério da Saúde. Além disso, ele participa da produção de alguns hormônios. Portanto, a questão não é eliminar o colesterol, mas manter suas frações em equilíbrio e avaliar como elas se relacionam com o risco cardiovascular de cada pessoa.

O problema surge quando há excesso de colesterol circulante, especialmente da fração LDL. De acordo com o NHLBI, níveis altos de LDL podem favorecer o acúmulo de placas de gordura nas artérias. Esse processo pode dificultar o fluxo de sangue e aumentar o risco de eventos como infarto e AVC.

Por isso, o resultado do perfil lipídico não deve ser interpretado isoladamente. O mesmo valor de LDL pode ter significados diferentes em uma pessoa jovem sem fatores de risco e em alguém com diabetes, hipertensão, doença cardiovascular prévia ou histórico familiar importante. As diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia reforçam que as metas de LDL variam conforme a categoria de risco cardiovascular.

HDL e LDL: o que cada um faz

O colesterol não circula sozinho pelo sangue. Por ser uma gordura, ele precisa ser transportado por partículas chamadas lipoproteínas. As duas frações mais conhecidas no exame de rotina são o LDL e o HDL.

O LDL, ou lipoproteína de baixa densidade, transporta colesterol para os tecidos. Quando está em excesso, pode contribuir para a formação de placas nas paredes das artérias. Por isso, níveis elevados de LDL estão associados a maior risco de aterosclerose e doenças cardiovasculares.

O HDL, ou lipoproteína de alta densidade, atua no caminho inverso: ajuda a transportar colesterol de volta ao fígado, onde ele pode ser processado e eliminado. Níveis baixos de HDL podem compor um perfil de maior risco, especialmente quando aparecem junto com LDL elevado, triglicerídeos altos, diabetes, tabagismo ou excesso de peso.

A diferença entre HDL e LDL, portanto, está no papel que essas partículas exercem no transporte do colesterol. Para o leitor, a regra prática é simples, mas não absoluta: em geral, LDL mais baixo é desejável; HDL muito baixo merece atenção. A decisão clínica, porém, depende sempre do risco cardiovascular global.

Valores de referência do colesterol: como olhar a tabela

Os valores de colesterol HDL e LDL devem ser interpretados de acordo com o risco cardiovascular de cada pessoa. A tabela abaixo apresenta referências gerais para adultos, mas não substitui as metas individualizadas definidas pelo médico.

ComponenteValor de referênciaObservação
Colesterol totalAbaixo de 190 mg/dLValor desejável. Deve ser interpretado junto com as frações.
HDLAcima de 40 mg/dLValor desejável. Valores baixos merecem atenção.
TriglicerídeosAbaixo de 150 mg/dL com jejum de 12 horas ou abaixo de 175 mg/dL sem jejumÉ o único parâmetro do perfil lipídico que muda conforme o estado de jejum.
LDLVaria conforme o risco cardiovascular: abaixo de 115 mg/dL no risco baixo, 100 mg/dL no intermediário, 70 mg/dL no alto, 50 mg/dL no muito alto e 40 mg/dL no risco extremoA meta é definida pelo médico após a estratificação de risco, e não por um valor único.
Colesterol não-HDLVaria conforme o risco cardiovascular: abaixo de 145 mg/dL no risco baixo, 130 mg/dL no intermediário, 100 mg/dL no alto, 80 mg/dL no muito alto e 70 mg/dL o risco extremoCalculado pela diferença entre o colesterol total e o HDL. Ajuda a estimar as frações aterogênicas.
Adaptado de: Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose – 2025, da Sociedade Brasileira de Cardiologia.

A Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) orienta que as metas de LDL e de colesterol não-HDL sejam ajustadas de acordo com o risco cardiovascular. Em pessoas de risco alto, muito alto ou extremo, os alvos podem ser significativamente menores do que os valores usados para indivíduos de baixo risco.

O colesterol não-HDL é calculado pela diferença entre colesterol total e HDL. Ele reflete, de forma simples, a soma de partículas potencialmente aterogênicas, ou seja, mais relacionadas à formação de placas nas artérias. Por isso, pode ser usado como parâmetro complementar, especialmente quando os triglicerídeos estão elevados.

Como interpretar o perfil lipídico

O perfil lipídico é o exame de sangue que avalia os níveis de colesterol total, HDL, LDL e triglicerídeos. Alguns laboratórios também informam colesterol não-HDL e relações entre as frações.

Para uma leitura inicial, o LDL costuma ser um dos pontos mais importantes, porque está diretamente relacionado ao risco de aterosclerose. Mas o LDL não deve ser avaliado sozinho. HDL, triglicerídeos, colesterol total e colesterol não-HDL ajudam a compor o quadro geral.

Triglicerídeos elevados, por exemplo, podem aparecer junto com excesso de peso, resistência à insulina, diabetes ou síndrome metabólica. A Mayo Clinic informa que triglicerídeos altos podem estar associados a condições que aumentam o risco de doença cardíaca e AVC, como obesidade e síndrome metabólica — nome dado à ocorrência simultânea de vários fatores de risco na mesma pessoa, como gordura abdominal aumentada, pressão alta, glicemia alterada, triglicerídeos elevados e HDL baixo.

O colesterol total isolado pode confundir. Um colesterol total mais alto pode refletir HDL elevado, enquanto outro resultado semelhante pode estar associado a LDL ou triglicerídeos alterados. Por isso, a composição do perfil lipídico importa mais do que um número isolado.

Colesterol alto nem sempre dá sinais

O colesterol elevado geralmente não causa sintomas perceptíveis. Segundo a Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose de 2025, da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), o colesterol alto pode ser hereditário, mas também está frequentemente relacionado a fatores de estilo de vida, como alimentação, sedentarismo e excesso de gordura saturada. A mesma fonte reforça que mudanças no estilo de vida e, em alguns casos, medicamentos podem fazer parte do controle.

Quando sintomas aparecem, eles costumam estar relacionados a complicações, como doença arterial coronariana, infarto ou AVC. Por isso, o exame de perfil lipídico é importante mesmo na ausência de queixas.

A SBC orienta que a avaliação do colesterol faça parte da estratificação do risco cardiovascular: a periodicidade do exame deve ser definida conforme o perfil de risco de cada pessoa e a orientação do médico. Na Diretriz de 2025, recomenda-se o uso de uma equação de risco para estimar o risco de evento cardiovascular em dez anos nos adultos entre 30 e 79 anos sem doença cardiovascular estabelecida. Na população pediátrica, a diretriz recomenda a dosagem do perfil lipídico completo entre 9 e 11 anos e, na presença de fatores de risco, a partir dos 2 anos de idade.

Alimentação, movimento e hábitos que influenciam o colesterol

Hábitos de vida podem influenciar o perfil lipídico, embora fatores genéticos também tenham papel importante. Alimentação, atividade física, peso corporal, tabagismo e consumo de álcool devem ser avaliados em conjunto.

Na alimentação, as fibras solúveis presentes em alimentos como aveia, feijões, maçã e pera ajudam a reduzir a absorção do colesterol e podem contribuir para a redução do LDL. A Diretriz Brasileira de 2025 recomenda a ingestão de cerca de 25 g de fibras por dia. A orientação vai ao encontro do Manual de Alimentação Cardioprotetora, desenvolvido pelo Ministério da Saúde em parceria com o Hospital do Coração (HCor), que organiza os alimentos nas cores da bandeira brasileira e prioriza alimentos in natura e minimamente processados.

Em relação às gorduras, a Diretriz Brasileira de 2025 recomenda que as gorduras totais representem de 20% a 35% do valor calórico diário, que as saturadas fiquem abaixo de 7% e que as gorduras trans não sejam consumidas, priorizando gorduras mono e poli-insaturadas presentes em peixes, castanhas, sementes e óleos vegetais. Essa recomendação também vai ao encontro do Manual de Alimentação Cardioprotetora, do Ministério da Saúde em parceria com o HCor, que orienta um padrão alimentar baseado em frutas, verduras, legumes, grãos integrais, leguminosas e fontes saudáveis de proteína.

A prática regular de atividade física também pode contribuir para o controle do colesterol. A AHA recomenda pelo menos 150 minutos semanais de atividade aeróbica moderada ou 75 minutos de atividade vigorosa, preferencialmente distribuídos ao longo da semana.

O tabagismo merece atenção especial. A AHA informa que fumar e usar vape podem reduzir o HDL, o chamado “colesterol bom”, além de aumentar o risco cardiovascular quando há colesterol alterado. Parar de fumar pode ajudar a melhorar triglicerídeos, HDL e função das artérias.

O peso corporal e o consumo de álcool também entram na avaliação. A Diretriz Brasileira de 2025 recomenda a redução de peso por meios não farmacológicos em pessoas com sobrepeso ou obesidade, com efeito sobre o aumento do HDL e a redução dos triglicerídeos, e se posiciona contra a ingestão de álcool como estratégia de prevenção ou tratamento da aterosclerose.

Essas mudanças não substituem acompanhamento médico. Em alguns casos, ajustes de estilo de vida podem ser suficientes; em outros, o médico pode indicar medicamentos, de acordo com o risco cardiovascular global.

Quando os números pedem mais atenção

Se o exame mostrou LDL acima da meta definida para o seu perfil, HDL baixo ou triglicerídeos elevados, o próximo passo é conversar com seu médico. Apenas o profissional de saúde pode avaliar idade, histórico familiar, pressão arterial, glicemia, presença de diabetes, tabagismo, peso corporal e outros fatores.

A decisão sobre tratamento não depende apenas de um número. As diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) reforçam que a conduta deve considerar o risco cardiovascular global e as metas individualizadas.

Também é importante seguir as orientações do médico e do laboratório sobre a necessidade de jejum antes da realização do exame, pois essa recomendação pode variar de acordo com a avaliação clínica.

O que não deve acontecer é ignorar o resultado. Colesterol alterado é um fator de risco modificável, e a intervenção adequada pode contribuir para reduzir riscos ao longo do tempo.

Perguntas frequentes sobre colesterol HDL e LDL

Qual a diferença entre colesterol HDL e LDL?

O LDL transporta colesterol para os tecidos e, quando está elevado, pode favorecer o acúmulo de placas nas artérias. O HDL ajuda a levar colesterol de volta ao fígado. Por isso, o LDL costuma ser chamado de “colesterol ruim” e o HDL de “colesterol bom”, embora a interpretação dependa do conjunto do perfil lipídico e do risco cardiovascular.

Qual é o valor ideal de HDL?

Mais seguro do que falar em “valor ideal” é falar em valor de referência. No Brasil, o valor desejável de HDL é acima de 40 mg/dL, e valores abaixo disso merecem atenção. Ainda assim, o HDL deve ser interpretado junto com LDL, triglicerídeos, colesterol não-HDL e os demais fatores de risco.

LDL alto é perigoso?

LDL elevado pode aumentar o risco cardiovascular porque favorece a formação de placas nas artérias. O NHLBI explica que níveis altos de LDL podem levar ao acúmulo de depósitos de gordura nas artérias, aumentando o risco de infarto, AVC e outros problemas de saúde.

Como baixar o colesterol naturalmente?

Mudanças de hábitos podem contribuir para melhorar o perfil lipídico. Entre elas estão aumentar o consumo de fibras solúveis, reduzir gorduras saturadas e trans, praticar atividade física regularmente, evitar tabagismo, moderar álcool e manter peso adequado. Em alguns casos, medicamentos também podem ser necessários, sempre conforme avaliação médica.

O que é perfil lipídico?

O perfil lipídico é um exame de sangue que mede colesterol total, HDL, LDL e triglicerídeos. Ele ajuda a avaliar o risco cardiovascular e a orientar decisões de prevenção e tratamento. A periodicidade do exame deve ser definida pelo médico, de acordo com o perfil de risco cardiovascular de cada pessoa.

Preciso estar em jejum para fazer o exame de colesterol?

Nem sempre. É importante seguir as orientações do médico e do laboratório sobre a necessidade de jejum antes da realização do exame, pois essa recomendação pode variar de acordo com a avaliação clínica.

Colesterol total alto sempre significa risco?

Não necessariamente. O colesterol total deve ser interpretado junto com HDL, LDL, triglicerídeos, colesterol não-HDL e fatores clínicos. Um mesmo valor de colesterol total pode representar perfis de risco diferentes dependendo da composição das frações e do histórico de saúde da pessoa.

Este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento médico. Em caso de dúvidas sobre seu exame, converse com um profissional de saúde.

Infográfico com fatores de risco e recomendações para controlar o colesterol.

Fontes consultadas
https://abccardiol.org/wp-content/uploads/articles_xml/0066-782X-abc-122-09-e20250640/0066-782X-abc-122-09-e20250640.x66747.pdf.
https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2024/agosto/dia-do-combate-ao-colesterol-saude-reforca-cuidados-e-amplia-acesso-a-medicamentos.
https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-brasil/eu-quero-me-alimentar-melhor/noticias/2022/colesterol-o-que-isso-quer-dizer
https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/saps/ecv/publicacoes/manual-de-alimentacao-cardioprotetora/view
https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/c/cancer-de-mama/l/2018/setembro/cuidando-do-coracao-na-atencao-basica
https://www.nhlbi.nih.gov/health/blood-cholesterol
https://www.heart.org/en/healthy-living/exercise-and-physical-activity/fitness-basics/aha-recs-for-physical-activity-in-adults
https://www.heart.org/en/healthy-living/healthy-eating/eat-smart/nutrition-basics/aha-diet-and-lifestyle-recommendations
https://www.mayoclinic.org/diseases-conditions/high-blood-cholesterol/symptoms-causes/syc-20350800
https://www.mayoclinic.org/diseases-conditions/high-blood-cholesterol/in-depth/triglycerides/art-20048186

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