Mente leve e corpo em movimento na jornada de emagrecimento
Já reparou como, ao decidir perder peso corporal, muitas pessoas olham primeiro para a balança e no que irão deixar de comer? A motivação inicial costuma ser enorme, mas, com o passar dos dias, manter o foco pode tornar-se um verdadeiro desafio. É aí que muitas tentativas de mudança falham e a cabeça precisa de tanta atenção quanto o corpo.
Começar um processo de transformação física pede um olhar igualmente atento para as emoções. A ciência aponta que peso corporal, alimentação e saúde emocional parecem estar relacionados, e pesquisas recentes sobre a associação entre obesidade e ansiedade descrevem uma relação complexa que pode ocorrer nos dois sentidos.
Algumas pesquisas associam dietas muito restritivas a episódios de perda de controle ao comer, especialmente quando há emoções negativas. Em pessoas com obesidade, sintomas de ansiedade também foram relacionados ao comer emocional e descontrolado.
O impacto do emagrecimento no equilíbrio das emoções
O excesso de peso corporal pode estar associado a um estado de inflamação no corpo e a alterações no sistema de resposta ao estresse, o que pode favorecer o desânimo e a ansiedade.
Uma rotina alimentar equilibrada, construída com escolhas possíveis de manter, pode contribuir para o bem-estar ao longo da jornada de emagrecimento. Em uma revisão de estudos que avaliaram pessoas com excesso de peso, a maioria das intervenções alimentares foi acompanhada pela redução dos sintomas depressivos. Isso não significa que a perda de peso corporal, por si só, resolva questões emocionais, mas mostra que cuidar da alimentação pode fazer parte de uma abordagem mais ampla de saúde e bem-estar.
Nutrição que cuida do cérebro e do intestino
Cuidar da mente durante o processo de perda de peso corporal pede uma rotina sustentável e amigável. A nutrição tem aqui um papel de destaque porque alimenta o cérebro e o intestino ao mesmo tempo. Pesquisas atuais focadas na saúde mental mostram a importância da alimentação na gestão de sintomas de ansiedade. O que colocamos no prato fornece a matéria-prima para o corpo produzir neurotransmissores como a serotonina e a dopamina.
Alimentos ricos em ácidos graxos poli-insaturados da família do ômega-3, vitaminas do complexo B, magnésio e triptofano podem ser aliados do bom humor. Assim, peixes, sementes, ovos e folhas verdes, por exemplo, compõem uma alimentação diária equilibrada. Alinhadas a isso, pesquisas também investigam a relação entre nutrição, microbiota intestinal e bem-estar. O intestino e o cérebro “conversam” como numa via de mão dupla, e por isso uma alimentação equilibrada pode fazer parte desse cuidado.
O equilíbrio necessário entre o movimento e o descanso
Outro ponto muito importante a considerar é como a forma de gerir as horas de nosso dia afeta diretamente nossa resiliência emocional. Movimentar o corpo pode estimular a liberação de endorfinas, ajudar a aliviar a sensação de estresse e favorecer a capacidade de adaptação do cérebro. Ao analisar nossos comportamentos de movimento ao longo de um dia inteiro, a ciência encontra relações entre atividade física, tempo sedentário, sono e saúde mental. Ainda não dá para afirmar que trocar longas horas no sofá por uma noite de sono de qualidade, por si só, melhore o bem-estar, mas buscar o equilíbrio entre movimento, descanso e sono pode ser um bom começo.
Emagrecer é um percurso com altos e baixos. Por isso, lidar com a ansiedade de modo acolhedor funciona muito melhor do que recorrer à culpa. O bem-estar emocional também depende fortemente das pessoas à nossa volta. Estudos focados em conexões sociais evidenciam que manter bons laços e compartilhar a jornada com amigos pode criar uma rede de proteção. Assim, intervenções que fortaleçam a conexão social podem ajudar a reduzir sintomas depressivos.
Priorizar uma rotina à base de alimentação equilibrada, noites bem-dormidas e gentileza consigo mesmo pode tornar a jornada de emagrecimento mais sustentável e até mesmo prazerosa. Mais do que atingir um número na balança, o objetivo deve ser construir uma vida com mais vitalidade, equilíbrio mental e paz interior.
Fonte:
Nutrição e Saúde Mental: O Papel da Alimentação nos Transtornos Depressivos e de Ansiedade – Uma Revisão de Literatura
O papel do nutricionista no tratamento da ansiedade e depressão: uma revisão sistemática
Association between anxiety and eating behaviors in patients with obesity
The menace of obesity to depression and anxiety prevalence
Diet, Obesity, and Depression: A Systematic Review
The Effect of Lifestyle Interventions on Anxiety, Depression and Stress: A Systematic Review and Meta-Analysis of Randomized Clinical Trials
Associations between 24-h movement behaviors and indicators of mental health and well-being across the lifespan: a systematic review
Mental health and music engagement: review, framework, and guidelines for future studies
Social connection as a critical factor for mental and physical health: evidence, trends, challenges, and future implications
Interventions to promote social connection and their effect on depression: An umbrella review
https://www.mdpi.com/2673-4168/4/2/13